E se o dia não tivesse a noite
dias sem fim, teríamos
E se o sol não tivesse a lua
dias ensolarados, teríamos
E se o mar não tivesse ondas
calmaria, teríamos
E se a terra não tivesse a chuva
sedenta a teríamos
E se a chave que abre a porta do se
tivesse escondida
teríamos que encontrá-la
Nasceria a noite
estrelada e enluarada
fazendo caracóis
nas correntes marinhas
Caía a chuva
causando auvura
fazendo brilhar o arco-íris
E se o homem não tivesse a sua honra
usurpada, amaldiçoada
não teríamos tanta dor.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Obra fictícia, inspirada no cotidiano qualquer semelhança é mera coincidência.
"A gente pode conduzir um cavalo ao rio, mas não pode obrigá-lo a beber." W. Somerset Maugham. O fio da navalha.
Sabe como é, né ( peripécias de João de Barro e sua Maria)
Como foi que nunca vi, não senti, nem notei. arrasava na calada como quem rouba e não deixa nenhum rastro como prova. Como é que não estava escrito no seu rosto, cada gesto, cada olhar, disfarçava bem ligeiro para que eu não notasse, mas o tempo é arteiro, procurou mais que depressa o safado apontar. Descartou sua conversa de malandro encantador, viajou e foi mostrar todo o acontecido que devemos acreditar. Sua estória é famosa, é matreira, por mais que eu queira ninguém pode rejeitar. João de Barro é seu nome, e por que assim lhe chamam? logo mais descobrirás.Era um jovem bem esperto que para acredirar tinha que ver bem de perto. Todo seu entusiasmo cresceu ao acontecer dos dias. João de Barro muito cedo foi para o colégio estudar, estudava as lições bem boladas para as moças cativar, defeito quase não tinha e alguns que apareciam tratava logo de desfarçar, foi assim que criou fama o danado do rapaz que ao atingir idade começou a namorar. Não sei dizer ao certo o que tinha na cabeça, pois qualquer moça solteira para ele dava pé, foi vivendo essa façanha de homem namorador, quando em sua estória algo inusitado entrara para lhe desafiar. Foram muitas investidas, mas somente na saída pôde a moça conquistar. Levou dias, mês e ano e os dois foram casar. Cativou João de Barro sua querida, sua amada, mas não durou quase nada seu desvelo confiar. Já não tinha mais alento, seu olhar a vaguear e o coração a palpitar. Foi quando aventurou-se outra moça conquistar, esqueceu mais que depressa as juras de amor que fizera para sua Maria fisgar. Começou outro romance, sem que sua bem amada pudesse desconfiar. Era matreiro e pomposo, gostava de impressionar, para provar seu esforço e entender com paixão aquela situação que estava para começar. Passaram-se dias, meses e anos, até que João de Barro conseguiu que essa moça em seu laço fosse ficar, não sei se por engano ou se por desengano os dois põe-se a falsear, enganando a Maria que as vezes até sabia que o seu Jõao de Barro de vez enquando saía para outra encontrar.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Hoje ( Doce aurora primaveril )
Do que era treva fez-se luz, do que era dor entornou meu ser e mesmo sem saber acordou o que fez adormecer. Abriu-se os olhos da alma e encontrou conforto no misterioso amanhecer. Brilhou a aurora, com um canto inesperado, encheu o peito e voltou a respirar, provou o néctar do doce mel, adoçou o fel e adornou o céu. Acolheu o dia como se fosse o primeiro, entregou-se em suspiros e renasceu das cinzas, numa manhã, manhã primaveril.
Antes (Noite de primavera)
Meu coração estava travado,atravancado pelo medo de amar,fechou-se na incondicional razão,posto a realidade presente, ausente do bem-querer,queixou-se aos sentidos,em resposta aos desgostos amargados no vão do tempo sofrível,desiludido pairava no ar,buscava forças para enfrentar a terrível ausência que foi-se porta a fora,sangrando a alma de uma vida incerta do acontecer.Levou consigo o brilho do alvorecer,o frescor das manhãs de primavera,a matiz das cores que embelezavam o jardim secreto,discreto,concreto,rasgou o véu da noite,recolheu as estrelas,apagou o luar,aspirou a brisa,deixou frio e inerte o meu olhar.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Sensatez
A dor não culpa
desculpa
O amor não descarta
acata
A razão não escurece
esclarece
A paixão não engana
é gana
A saudade não mata
maltrata
O ódio não constrói
destrói
O amor ACATA
A paixão ENGANA
A saudade MALTRATA
A razão ESCLARECE
O ódio DESTRÓI
A dor DESCULPA
O tempo APAGA
O desejo SENTIDO
desculpa
O amor não descarta
acata
A razão não escurece
esclarece
A paixão não engana
é gana
A saudade não mata
maltrata
O ódio não constrói
destrói
O amor ACATA
A paixão ENGANA
A saudade MALTRATA
A razão ESCLARECE
O ódio DESTRÓI
A dor DESCULPA
O tempo APAGA
O desejo SENTIDO
Chama acesa (Ei,você?)
Chama acesa
Ei, você:que ama
que sofre
que sorri
que chora
Ei,você:
que chega
que chama
que espera
que encanta
Ei,você:
que complica
que insiste
que implica
que fica
Ei,você:
que confunde
que esconde
que almeja
que enseja
Ei,você:
chama acesa
que incendeia
Ei,você!
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Partilha de mais uma página da estação primaveril.
Brota um lindo botão no jardim da saudade.Já havia acostumado com as ervas daninhas e os espinhos esturricados das rosas,nenhum beija-flor ousava aproximar-se,nenhuma abelha já não mais buscava polén e as formigas esqueceram as folhas.Mas essa manhã surpreendeu-me o orvalho,umedeceu a terra e fez brotar um lindo botão em flor,tão singelo,tão suave,tão perfumado que atraiu beija-flores e muitas abelhas colheram polén,o vento levou o cheiro ardente de terra molhada,o sol tornou mais dourado o botão que ora brotara depois de quase esquecer como nascer.
Páginas de primavera (Quatro estações).
O sol brilha no telhado,o vento está mais solto nesta manhã convidativa de primavera,você chegou e aquietou-se em mim,aninhou-se e suspirou profundamente,sem dizer muito me envolveu em seus braços e me amou como outrora,senti semelhante sensação,foi como a primeira vez,sem saber o porquê,aceitei-o dentro de mim e gostei,quiçá nunca tivesse saído,permanecendo apenas seu perfume e a satisfação do amor, numa manhã de primavera.
Assinar:
Comentários (Atom)