sábado, 29 de dezembro de 2012

O que será que será

Que permeia o pensar da humanidade 
Que esconde a verdade com simplicidade
Que finge vê a dor contida no ser
Que mergulha o outro numa angustia sem fim

O Que será que será

Que a insatisfação penetra o olhar
Que a busca da razão não chega pra ficar
Que a ânsia da loucura conduz o caminhar
Que rompe as muralhas a insansatez

O Que será que será

Que em vão sossega o coração
Que se entrega a cegas paixões
Que estampa uma alegria efêmera
Que não se contente de contente

O Que será que será ...    
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Foi Deus Quem Fez Você

Amelinha

Foi Deus que fez o céu,
O rancho das estrelas.
Fez também o seresteiro
Para conversar com elas.
Fez a lua que prateia
Minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou
Mais de um milhão do paraíso.
Foi Deus quem fez você;
Foi Deus que fez o amor;
Fez nascer a eternidade
Num momento de carinho.
Fez até o anonimato
Dos afetos escondidos
E a saudade dos amores
Que já foram destruídos.
Foi Deus!
Foi Deus que fez o vento
Que sopra os teus cabelos;
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar. Teu olhar...
Foi Deus que fez as noites
E o violão planjente;
Foi Deus que fez a gente
Somente para amar. Só para amar...

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

http://letras.mus.br/oswaldo-montenegro/65521/#selecoes/72954/
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Que  + vc quer de mim ? ? ?

Já não basta a ferida aberta dilacerada por suas atitudes, não basta a dor contida, a lágrima cristalizada.

Já não basta a mentira insana que rouba o sono e a vontade de viver. Não basta o retrovisor virado de um passado que se faz presente.

Já não basta a toalha molhada, os corpos suados de um momento fugaz. Não basta adormecer em seus braços e sonhar acordada uma noite que não passa.

Mas ao despertar sozinha, vê 
Foi tudo Miragem. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A Ilusão  Turva A Razão.

Me deixe solta e leve, livre para amar, desejosa de um amor incondicional.
Me deixe partir, sair, descontrair, experimentar o verdadeiro e imensurável amor.
Me deixe passar, caminhar e encontrar o amado.
Me deixe sentir, fluir e transbordar esse bem querer, que ama gratuitamente e se deixa enamorar.
Me deixe viver minha escolha, entenda a dimensão invisível de quem ama e quer ser amada verdadeiramente.
Me deixe vislumbrar, descortinar o paraíso escatológico e entrar em êxtase no abandono do meu ser.
Me deixe encontrar a paz que tanto busco, para perseverar na verdade.
Me deixe permanecer no imutável, não me envolva em falsas esperanças, não me turve a razão.
Me permita seguir, quão doloroso é viver uma quimera, estar presa por cadeias invisíveis, aceitar a incerteza do querer, que angustiante é experimentar a dor da solidão presente de uma ausência aparente.
Me deixe sorri o riso da alegria indelével e derramar o choro da partida, para não sorri a face da mentira nem chorar  uma inconsequente consciência.
Me entregue flores, que exalem o perfume da santidade, para juntos mergulharmos no amor que nos fora roubado.
Me surpreenda com um gesto singelo, desate os nós dos nossos corações e no silêncio do imutável envie uma prece e compreenda meu humano jeito  de ser e de querer viver.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Um Deus que deixa sorri e ri junto  com você.

       Há várias formas de compreendermos o divino, pois se abstraírmos o concreto ficando na subjetividade passamos a enxergar com os olhos da fé.
       Martha Medeiros em uma de suas crônicas diz acreditar em um Deus diferente, que está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade. Concordo que ela conheça o mesmo Deus do balconista, da professora, do porteiro, do pobre, do rico, enfim, do Deus que se fez homem e habitou no meio da humanidade.
       Um Deus que chorou, sentiu fome, sede, que viveu no seio de uma família, que sentiu na pele o que é ser gente.
        Um Deus que tem o controle do universo, mas não interfere no livre-arbítrio e estar sempre disposto a caminhar contigo onde quer que vás.
        Um Deus que é onipotente, onipresente e onisciente, que alegra o coração quando angustiado está, que fala quando você quer escutar, silencia se você precisar, sorri e te olha nos olhos e te faz cúmplice de um amor imensurável.  
              

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Três escondidos em Um.

Estivemos os cinco, juntos e a sós
íamos e vínhamos, encontro e desencontro
dentro e fora, fomos passantes do presente ausente
subíamos e descíamos, mas não nos encontrávamos.

Estivemos angustiados, descobrimos  o inevitável
corações sangrando, espírito inquieto
de um pulsar acelerado e dilacerado
hora do pavor, cega a razão
inversão dos sentimentos, fuga transitória
abalo interior, desespero ameaçador
corre-corre incalculável, aflição em embaraço.

Estivemos angustiados, com o ser nostálgico
éramos cinco, éramos nenhum
quase comuns, mas no anonimato
que a saudade e o tempo enigmático
ficou no porão na armadilha da vida.

Estivemos ausentes, perdidos no presente
de um passado mudo e de um futuro nascente
pois escondido nos cinco, estavam,Três em Um.

domingo, 29 de julho de 2012

Conto da Vila Irajá


Arrepare não, quando alguém por você passar e lançar um olhar esquisito, na hora você fica a pensar, brigou com o mundo talvez e passou a ti olhar pois queria encontrar alguém e o fez requinte do seu cantar e florido caminhar pela estrada da vida que um dia há de chegar,nesse passo a esticar vai mansinho atravessar a vila do lugar, onde outrora foi morar e que se chamava Irajá.
Conheceu um jovem moço e começou a namorar, não quis saber como fazer para a família conhecer,foi gostando e foi ousando até o pai os encontrar, num longo beijo quando por ali passava, ela bem que conheceu o barulho do motor do carro, mas não teve forças para da boca largar,quando viu já estavam sem tempo pois haviam sidos pegos numa rua  a se abraçar e a beijar, correu para casa chegando primeiro que o pai, mas esse não perdoou e um alvoroço começou e correria gerou causando aquela gritaria e a moça castigada, aos soluços foi deitar.
Mesmo assim continuou o tal romance,na vila onde moravam, três casas antes da sua seu amado lá vivia, era músico e tocava na Banda de música Municipal daquela cidade e para a reservista receber no Tiro de Guerra trabalhava e quando doava sangue ganhava calças bem bonitas e estilosas, umas verde oliva, outras vermelho vinho meio bordô e presenteou sua amada com a vermelho vinho, ela achou o máximo, vez ou outra fazia alvorada na frente de sua casa, alí mesmo na calçada, não se importava com os vizinhos que olhavam ou os passantes curiosos, ficava horas a tocar, ela gostava de ouví-lo e até acreditava no amor que ele a dedicava.
Eram fortuitos os encontros daquele casal, que com o tempo passou e a sua casa começou a  frequentar, mesmo com o olhar torcido dos pais da moça, ele não se importava do namoro continuar e assim voou o tempo.
Sua amada um dia quis sua família conhecer, pois seus pais lhe advertiram de uma triste realidade, foi aí que seu amado revelou o seu segredo,seus pais eram separados e sua mãe tinha um pequeno hotel mas era só de fachada, pois ali haviam mulheres cujos homens recebiam com propósitos escusos, sua amada no entanto quase não acreditou, pois ele lhe afirmou que eram apenas falácias, tão chocada ela ficou, mas de nada lhe falou, nem sequer nada cobrou e continuou o namoro, mas agora era mais birra pois a verdade lhe trouxera a um universo não conhecido e os dias se passaram, porém sua amada acidentada ficara e acamada lá da calçada se ausentara, no entanto o jovem moço com pinta de galã se deixou reconquistar por sua antiga namorada, qual não foi a surpresa de sua bela amada, ficou triste com as conversas que ouvira, mas nada podia fazer, pois o mesmo só negava e não teve remédio, para longe se desfêz todo aquele mal entendido, continuaram o namoro desta vez um pouco mais distante, pois seus pais resolveram em outra casa morar, diante deste episódio ficou dúvidas no ar e não foi difícil para ela o romance acabar,mas não foi de qualquer jeito, pois os dois se entendiam e quem os via já percebia que casamento daria.
Quando as coisas hão de ser não há quem impeça, pois foi em umas férias que vieram a romper,ela gostava de viajar e decidiu ir passar uma semana numa cidade próxima com os parentes, mas ele logo contestou e falando bem sincero disse que não a deixava ir, sem medir as palavras foi infeliz em não concordar, pois foi aí que sua amada o despediu sem mais demora, ele muito insistiu dizendo que aceitava que ela fosse a viagem e depois quando chegasse continuavam o namoro, mas ela desapontada, ressabiada e criticada pelos pais pelo namoro, resolveu naquele momento finalizar o tão sonhado romance que começara lá na rua Irajá.

sábado, 28 de julho de 2012

Quem me dera

Quisera eu não mais sofrer
como aquele que rompeu
com a morte impetuosa
com as trevas que sufoca

Quisera ser bem mais feliz
e cantarolar todos os dias
e suspirar cada manhã
olhando o sol se levantar

Quisera eu acompanhar
o desabrochar primaveril
e acolher no anoitecer
o serenar em gotas mil

Mas quem me dera 
ser assim: 
madura,como a doce fruta
brilhar,como o sol do meio dia
vigorar,como a palmeira
que no líbano está plantada

Quisera eu um dia chegar
na mais Alta Morada
e poder anunciar
o meu viver renunciar
para não mais voltar.

Escondido em mim


Te encontrei e me entreguei
tão tenaz, nada sutil
me envolvi e me firmei
o que encontrei saboreei
experimentei e me fartei.

Te enlacei me fiz pequena
como menina cirandei
cantei, dancei
no teu colo devaneio
cavalguei em disparada
num ritmo frenético
de um suspiro ressoar...


Obra fictícia, inspirada no cotidiano, qualquer semelhança é mera coincidência.

A gente pode conduzir um cavalo ao rio, mas não obrigá-lo a beber. (W. Somerset Maugham. Em: O fio da navalha)

Obra fictícia, inspirada no cotidiano, qualquer semelhança é mera coincidência.

Genótipo - Gen ô tipo

 

                       
Então,esse tal
nos deixa parecidos
parceiros afinal
e como tal 
enfeia-nos ou enfeita-nos
com adornos paternais

Afinal, a razão
nos apresenta
sem compaixão
o seu genótipo 
caracteres
que define feição

Enfim, condições
esse genoma
de aparente confissões
mostra a aparência
mas esconde a essência

Entretanto, denuncia
um estrito ligamento 
entre o gen ô tipo
e o gen ô ma
mas torna ignóbil
a ciência criativa

De um ser que o criou
fascinou e assim cuidou
para continuar a ser
semelhante áquele
que o pensou por primeiro
e o tornou concreto
completo, discreto

Todavia, quis parecer
com in vitro laboral
enternecer no vazio
de um copo de beck
ou num tubo de ensaio
Criogênese tornar-se
e efêmero provar
do encanto corporal
no humano afinal

Desconhecido, encontrei
virei e revirei
surpreendi-me e aceitei
que ao caminhar
e divagar
percebi a difusão
existente no ser

O sentir turva a razão
e se deixa apanhar
no turbilhão da sensação
de um dia vir nascer
alma, corpo e coração.

sábado, 30 de junho de 2012

A dor


Que fere a alma
e desnuda o ser
vê sem querer
uma alegria
de uma utopia 
acontecer


Que sangra o peito
e ultrapassa o pensar
vê sem cansar
uma quimera 
de um amor
a revelar


Que chora a dor
e cala a cor
de uma noite
a clarear


Que esquece o tempo
e vê passar
uma alegria
uma quimera
uma sangria
a estancar 
no vão do ser
a esfriar.
Escondido em mim


Te encontrei e me entreguei
tão tenaz nada sutil
me envolvi e me firmei
o que encontrei saboreei
experimentei e me fartei


Te enlacei me fiz pequena
como menina cirandei
cantei,dancei
no teu colo deleitei
cavalguei em disparada
num ritmo frenético
de um suspiro ressoar...
Pássaro Altaneiro


Somente agora é que me vem
esse pássaro altaneiro
que pousou bem faceiro 
no meu lado atormentar


Bagunçou o meu pensar
desafinou o meu cantar
fez meu corpo acordar
meu coração palpitar
minha razão duvidar


O seu cantar passarinho
envolve e faz acelerar
 com seu melodioso cantar
meu coração no compasso
descompassado ficar


Voa,voa passarinho
vai cantar noutro lugar
deixa quieto quem um dia
resolveu abdicar
da paixão enamorar


Estou cá buscando agora
o cantar da natureza
que acalma o céu e o mar
e até o meu pensar
deixando livre altaneiro
o coração a voar desse pássaro matreiro.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Vento Leste.

         Sopra morninho, aquece a alma gélida, sofrível de uma vida desventura. Traz um aroma suave, embriaga o ser dormente, indiferente  ao seu sabor, adentra o corpo, bagunça os cabelos e até mesmo o que já estava desarrumado, sussurra aos ouvidos segredos escondidos na alma doutro ser, que mesmo sem saber toca o mais íntimo do querer, desnuda os pensamentos levando a imaginação içar voos, ora rasantes, ora cortante. 
         Visita o mar, o céu as estrelas, volta a pensar no que seria ter provado o sabor desse gostoso ardor que se diz bem verdadeiro, mas que não quis por primeiro deleitar-se, aproximar-se e mostrar o inevitável talvez de um encontro certeiro que porvir aqui está, mas não encontra sossego para se aproximar.
          Talvez não queira se precipitar, feito nuvens no céu azul a sonhar, a cair como gotinhas na água doce do rio da saudade que um dia deixou passar, levada pela correnteza, contornando montanhas, cidades e outros seres, até desaguar, nos olhos d'água  salgada do mar bravio e tempestuoso que no evaporar do ser, corpo e alma a transpirar, vento leste. Na atmosfera que  quer chegar, vento leste...

Terça-feira de carnaval.

Lutar pela santidade
é buscar salvar a sí mesmo 
da depravação, da desonra
que o inimigo proporciona.

Jesus chama:
Ele clama por você.
E diz: chega, basta,
não precisas mais sofrer.
Eu estou aqui.
Eu te amo!
Pois ninguém te ama, como Eu 
olhe pra cruz, esta é minha grande prova, 
prova de Amor.

Filho, filha, hoje desejo
essa sua decisão
o Espírito Santo te conduz
no caminho da santidade 
somente por hoje, não mais pecar.
Resgatados do pecado,
inflamados pelo ardor apostólico. 
Para ser Santos, como o Pai é Santo.
Porque Amor,com Amor se paga.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Te encontrei

         Vasculhei no fundo da gaveta, encontrar o inesperado, guardado a tanto tempo, é como se voltasse no passado procurasse o que não havia esquecido, guardar na memória os anseios de outrora amarelado mas não amarrotado, desvendar um mistério que estava as claras ali tão perto e tão distante deveras, poderia alcançar mas não lançou mão, deixou passar e foisse como quem o universo queria conquistar. Andarilho das estrelas chega para verificar o fogo que ardia mas não entendia o segredo que ali existia, foi vivendo, foi conhecendo, brincando e conquistando, mas não confiou o seu amor e provou que o doce sabor da vida, é esperar o momento certo, mas me diga companheiro pois não sei e nunca achei a hora e o momento certo, foi por medo ou timidez que deixou lá na gaveta ou na memória esquecida o sentimento que não aflorou, nem demonstrou sequer um ato, para o fato consumar. Exagero meu ou seu, não sei, ao lembrar as manhãs primaveris, fica a saudade do momento que não foi vivido, do abraço que não foi dado, do olhar que foi evitado e do amor que calou e não pôde falar, chega agora numa manhã de outono, será que você não está demonstrando o rumor do que viveu por aí a fora, e que ficou na saudade, o beijo que não foi dado, o toque que não foi experimentado, sei que dias virão em que  o foco para alcançar o objetivo perdido de um passado escondido na doce manhã da juventude que não soube da atitude de ganhar ou perder, é vencer o vão do tempo e segurar nas mãos do sentimento. Uma amizade verdadeira que chegou, se raízes veio criar é bons frutos que vão dar, amanhã talvez quem sabe, espero eu, espera tu, esperamos nós, os nos que a vida dar, para demonstrar que o mundo dar suas voltas e nas voltas que o mundo dar a gente ia se encontrar, fica aqui minha lembrança para não esquecer o dia de te encontrar, se na mão ou contramão, sei que um amigo verdadeiro não se pode comprar, nom se deixa guardar na gaveta, pra amarelar e amarrotar...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

E SE.

E se o dia não tivesse a noite
dias sem fim, teríamos

E se o sol não tivesse a lua
dias ensolarados, teríamos 
E se o mar não tivesse ondas
calmaria, teríamos
E se a terra não tivesse a chuva
sedenta a teríamos
E se a chave que abre a porta do se
tivesse escondida
teríamos que encontrá-la
Nasceria a noite
estrelada e enluarada
fazendo caracóis
nas correntes marinhas
Caía a chuva
causando auvura
fazendo brilhar o arco-íris
E se o homem não tivesse a sua honra
usurpada, amaldiçoada
não teríamos tanta dor.
 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Obra fictícia, inspirada no cotidiano qualquer semelhança é mera coincidência.

"A gente pode conduzir um cavalo ao rio, mas não pode obrigá-lo a beber." W. Somerset Maugham. O fio da navalha.

Sabe como é, né ( peripécias de João de Barro e sua Maria)

Como foi que nunca vi, não senti, nem notei. arrasava na calada como quem rouba e não deixa nenhum rastro como prova. Como é que não estava escrito no seu rosto, cada gesto, cada olhar, disfarçava bem ligeiro para que eu não notasse, mas o tempo é arteiro, procurou mais que depressa o safado apontar. Descartou sua conversa de malandro encantador, viajou e foi mostrar todo o acontecido que devemos acreditar. Sua estória é famosa, é matreira, por mais que eu queira ninguém pode rejeitar. João de Barro é seu nome, e por que assim lhe  chamam? logo mais descobrirás.Era um jovem bem esperto que para acredirar tinha que ver bem de perto. Todo seu entusiasmo cresceu ao acontecer dos dias. João de Barro muito cedo foi para o colégio estudar, estudava as lições bem boladas para as moças cativar, defeito quase não tinha e alguns que apareciam tratava logo de desfarçar, foi assim que criou fama o danado do rapaz que ao atingir idade começou a namorar. Não sei dizer ao certo o que tinha na cabeça, pois qualquer moça solteira para ele dava pé, foi vivendo essa façanha de homem namorador, quando em sua estória algo inusitado entrara para lhe desafiar. Foram muitas investidas, mas somente na saída pôde a moça conquistar. Levou dias, mês e ano e os dois foram casar. Cativou João de Barro sua querida, sua amada, mas não durou quase nada seu desvelo confiar. Já não tinha mais alento, seu olhar a vaguear e o coração a palpitar. Foi quando aventurou-se outra moça conquistar, esqueceu mais que depressa as juras de amor que fizera para sua Maria fisgar. Começou outro romance, sem que sua bem amada pudesse desconfiar. Era matreiro e pomposo, gostava de impressionar, para provar seu esforço  e entender com paixão aquela situação que estava  para começar. Passaram-se  dias, meses e anos, até que João de Barro conseguiu que essa moça em seu laço fosse ficar, não sei se por engano ou se por desengano os dois põe-se a falsear, enganando a Maria que as vezes até sabia que o seu Jõao de Barro de vez enquando saía para outra encontrar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Hoje ( Doce aurora primaveril )

Do que era treva fez-se luz, do que era dor entornou meu ser e mesmo sem saber acordou o que fez adormecer. Abriu-se os olhos da alma e encontrou conforto no misterioso amanhecer. Brilhou a aurora, com um canto inesperado, encheu o peito e voltou a respirar, provou o néctar do doce mel, adoçou o fel e adornou o céu. Acolheu o dia como se fosse o primeiro, entregou-se em suspiros e renasceu das cinzas, numa manhã, manhã primaveril.

Antes (Noite de primavera)

Meu coração estava travado,atravancado pelo medo de amar,fechou-se na incondicional razão,posto a realidade presente, ausente do bem-querer,queixou-se aos sentidos,em resposta aos desgostos amargados no vão do tempo sofrível,desiludido pairava no ar,buscava forças para enfrentar a terrível ausência que foi-se porta a fora,sangrando a alma de uma vida incerta do acontecer.Levou consigo o brilho do alvorecer,o frescor das manhãs de primavera,a matiz das cores que embelezavam o jardim secreto,discreto,concreto,rasgou o véu da noite,recolheu as estrelas,apagou o luar,aspirou a brisa,deixou frio e inerte o meu olhar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sensatez

A dor não culpa
                desculpa

O amor não descarta
                    acata

A razão não escurece
                    esclarece

A paixão não engana
                      é gana

A saudade não mata
                        maltrata

O ódio não constrói

                   destrói

O amor ACATA

A paixão ENGANA

A saudade MALTRATA

A razão ESCLARECE

O ódio DESTRÓI

A dor DESCULPA

O tempo APAGA

O desejo SENTIDO

Chama acesa (Ei,você?)

Chama acesa
Ei, você:
que ama
que sofre
que sorri
que chora

Ei,você:
que chega
que chama
que espera
que encanta

Ei,você:
que complica
que insiste
que implica
que fica

Ei,você:
que confunde
que esconde
que almeja
que enseja

Ei,você:
chama acesa
que incendeia

Ei,você!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Partilha de mais uma página da estação primaveril.

Brota um lindo botão no jardim da saudade.Já havia acostumado com as ervas daninhas e os espinhos esturricados das rosas,nenhum beija-flor ousava aproximar-se,nenhuma abelha já não mais buscava polén e as formigas esqueceram as folhas.Mas essa manhã surpreendeu-me o orvalho,umedeceu a terra e fez brotar um lindo botão em flor,tão singelo,tão suave,tão perfumado que atraiu beija-flores e muitas abelhas colheram polén,o vento levou o cheiro ardente de terra molhada,o sol tornou mais dourado o botão que ora brotara depois de quase esquecer como nascer.

Páginas de primavera (Quatro estações).

O sol brilha no telhado,o vento está mais solto nesta manhã convidativa de primavera,você chegou e aquietou-se em mim,aninhou-se e suspirou profundamente,sem dizer muito me envolveu em seus braços e me amou como outrora,senti semelhante sensação,foi como a primeira vez,sem saber o porquê,aceitei-o dentro de mim e gostei,quiçá nunca tivesse saído,permanecendo apenas seu perfume e a satisfação do amor, numa manhã de primavera.