Sopra morninho, aquece a alma gélida, sofrível de uma vida desventura. Traz um aroma suave, embriaga o ser dormente, indiferente ao seu sabor, adentra o corpo, bagunça os cabelos e até mesmo o que já estava desarrumado, sussurra aos ouvidos segredos escondidos na alma doutro ser, que mesmo sem saber toca o mais íntimo do querer, desnuda os pensamentos levando a imaginação içar voos, ora rasantes, ora cortante.
Visita o mar, o céu as estrelas, volta a pensar no que seria ter provado o sabor desse gostoso ardor que se diz bem verdadeiro, mas que não quis por primeiro deleitar-se, aproximar-se e mostrar o inevitável talvez de um encontro certeiro que porvir aqui está, mas não encontra sossego para se aproximar.
Talvez não queira se precipitar, feito nuvens no céu azul a sonhar, a cair como gotinhas na água doce do rio da saudade que um dia deixou passar, levada pela correnteza, contornando montanhas, cidades e outros seres, até desaguar, nos olhos d'água salgada do mar bravio e tempestuoso que no evaporar do ser, corpo e alma a transpirar, vento leste. Na atmosfera que quer chegar, vento leste...
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