Via de mão dupla
Continuamos caminhando, mas não estamos numa via de mão única, não estamos indo ao mesmo lugar, pois enquanto estou indo, ele está voltando.
Percebemos um ao outro de vez em quando, pois caminhamos paralelamente, passamos um pelo outro inúmeras vezes, trocamos ideias, olhares, sorrisos, abraços, beijos e até caminhamos com dedos entrelaçados, mas que controvérsia, não nos encontramos de fato, temos. objetivos diferentes. Apesar de todo esse arsenal supostamente de apoio para um bom relacionamento, não chegamos ao denominador comum.
Vivenciamos a via de mão única ??? Não estou bem certa desse prognóstico, pois quando procuro, não encontro, e quando quero encontrar, me foge aos olhos ou a razão de conhecer. Some no tempo, ao sabor do vento, da chuva, do sol, da lua, enfim, motivos são tantos que chego a olvidar que tenha existido algum momento único. Difícil traçar um perfil para dar nome e sobrenome a algo que não tem consistência, parece mais não se adequa a nenhum padrão lógico, é instável, inconstante, enfim, é indecifrável.
Verificando com mais cuidado podemos cognominar como um aroma, ou uma lembrança, ou uma sombra, ou talvez um raio de sol, ou uma gota de chuva, poderia até ser um som, ou tantas outras coisas, mas a verdade é que não conseguimos definir, difícil conhecer, encontrar, permanecer.
Conter no espaço real, ter entre os braços o inimaginável não é fácil, é impossível, pois escorre entre os dedos como areia da praia, é volátil, é inexplicável, é fantasioso, chega a ser falacioso.
Ah !!! Esse fruto da imaginação, esse ser desconhecido, que só se revela no universo da abstração...
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